era tarde em trinta de junho. selton mello estava no cemitério e viu alessandra negrini levar um tombo ridículo, então decidiu que essa era a mulher que queria fotografar para o resto da vida. se tornaram um perigo para a sociedade - pelo menos a parcela cinéfila que tentava se manter acordada.
assim, como crime de cinema, natural que detê-los fosse um trabalho para malu mader justiceira, uma vez que seu teleseriado foi filmado em película.
assim, como crime de cinema, natural que detê-los fosse um trabalho para malu mader justiceira, uma vez que seu teleseriado foi filmado em película.

malu mader justiceira não tinha papas na língua, e não viu problemas em soar vulgar e nem deixar claro naquele momento que a perseguição aos meliantes globais - em especial alessandra - era um ajuste de contas pessoal. nós, pessoas comuns que só vivemos uma vez, já vimos essa história antes e já estamos cansados dela; agora, calcule o drama da fernanda torres, que já viveu muitas vidas, incluindo em outros universos. ela não quis ver mais nada e ficou cega.

mas não é porque não pode enxergar que a pessoa fica inválida. "a visão é só um sentido, ainda sobram quatro!" - e levando consigo apenas essa filosofia, seu coração e um grande senso fashion, fernanda foi lá conferir o filme numa sala 5 de arteplex.


- oi.
- poxa seeelton, come a alessandra logo, cara.
- ah fêr, desencana, esse filme não é de comer não. a gente fica em siêncio, depois filosofa, faz danças estranhas... e aí espera tudo terminar mal.
- putz grila, cara.



***
não é difícil imaginar o desconforto da atriz, recém-iniciada na escuridão, assistindo a um filme em que não se fala muito. mas que também não é mudo. fazia uns ruídos estranhos. parecia que ela estava sentada na frente do ar-condicionado, sozinha, e de vez em quando entrava uma conversa alheia na frequência, sempre faltando pedaço.
***

- macacos me mordam.
- hum?
- blá blá blá blá blá blá blá ancestrais blá blá blá blá blá blá blá blá morte blá blá blá blá blá blá blá fagulhas, centelhas, orelhas blá blá blá você não acredita, um rato comeu nossas fotos.
- meu deus, um rato...
- blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá aromas blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá estratosfera blá blá blá é, eu vi a marca de um dente.
- meu deus, um dente...





a cada diálogo Ela ficava menos interessante, então Ele decidiu tirar mais fotos, como essa:

***
a erva do rato (idem)
frei caneca unibanco arteplex 5 (são paulo)
Brasil, 2008
direção: júlio bressane e rosa dias
roteiro: júlio bressane, machado de assis
nota: 1
Hahahahahaha...
ResponderExcluirAUHSUAIHSUAHSUAHSIUHAIUSHSAIUHSAI
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